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Entrevista com a aluna: Andreza da Silva Barbosa

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Tema do trabalho: Desafios e conquistas da Pedagogia hospitalar: A contribuição Pedagógica no processo de ensino aprendizagem da criança hospitalizada em tratamento oncológico.

Nome: Andreza da Silva Barbosa

1. Quando surgiu em você o interesse em trabalhar na área pedagógica?
Sempre me identifiquei muito com crianças, já até trabalhei como babá, mas sempre tive o interesse em estudar Pedagogia, só que infelizmente as condições financeiras não eram favoráveis. Quando consegui um trabalho onde eu recebia um pouco mais resolvi fazer o curso. Então ingressei na faculdade com uma bolsa de 50% concedida pela Fundação Educacional de Ituverava. Iniciei meu sonhado curso graças a esse desconto e consegui me formar. 
2. Sabemos que a Pedagogia te possibilita trabalhar em diversas áreas, quais delas você 
Considera mais interessante?

Sem duvida alguma a área hospitalar, pois é a minha escolhida!

3. Você acha que o curso de Pedagogia da FFCL a preparou para o trabalho dentro da instituição escolhida para o projeto e para o mercado de trabalho em geral?
Com certeza tive professores bem competentes, capacitados e com vontade de ensinar e quando ficaram sabendo da pesquisa me deram o maior incentivo. As aulas que tive me ajudaram muito em todas as áreas.

4. Como foi o processo e as dificuldades que você encontrou para a realização do projeto e como foi à participação do Comitê de Ética e pesquisa?
Até conseguirmos a aprovação do Hospital, foi um processo muito longo. Na FFCL tivemos o total apoio da professora Vera Mariza Chaud, que nos auxiliou em todas as diretrizes necessárias. O projeto aqui foi “aprovado” nas três submissões, e o corpo do comitê sempre elogiou a pesquisa, porém no hospital conseguimos a “aprovação” somente na terceira submissão. Foi um processo muito longo, pois a documentação exigida para dar entrada no projeto era extensa, portanto, estes documentos foram refeitos várias vezes até conseguirmos a aprovação para o início do projeto. 


5. Conte como foi sua experiência em atuar dentro de um hospital que é referência não só no Brasil, mas no mundo.
Conhecer o trabalho da Shester Heine (Escola Hospitalar do A.C. Camargo) foi uma experiência fantástica e inesquecível pra mim. Tive a oportunidade de vivenciar o atendimento o atendimento Pedagógico realizado com as crianças em tratamento oncológico. É um trabalho fantástico. O A.C. Camargo é um exemplo de que a educação pode sim ocorrer fora dos muros da escola. Tem uma equipe bem preparada para atender as crianças como também uma estrutura com os espaços apropriados para atender a todos.

Percebi que esta é a área que quero atuar, pois me identifiquei muito com o Tema e com a área hospitalar.

6. Você acha que a postura do hospital em relação ao seu projeto foi humanizada? Como você lidou com os demais funcionários e pacientes?
Com certeza. Até mesmo porque um dos pontos importantes nesta área é a humanização. Fui bem recebida em todos os setores que tive que frequentar no comitê, na biblioteca, na cantina, e também na escola. Os professores foram bem receptivos comigo. As crianças não se espantaram com minha presença, assim como os pais também não. As crianças estavam sempre sorrindo e demonstraram gostar muito dos professores. Era engraçado vê-los serem chamados de doutor e doutora e não de “tia” como na escola convencional. Vivenciar esta realidade foi uma experiência foi uma experiência “única” para mim, fui convidada para participar do curso sobre “classe hospitalar” no hospital. Participei duas vezes. Pude obter conhecimentos fantásticos como também utiliza-los na minha pesquisa.

7. Sabemos que o ramo educacional se desvalorizou muito nos últimos anos. Esse fator influenciou na escolha de atuar em um hospital?
O fato de o ramo educacional ser desvalorizado não me influenciou na escolha desta área, na verdade a motivação veio quando recebi um e-mail por engano de vários artigos sobre Pedagogia Hospitalar, li todos e fiquei completamente encantada, então comprei o primeiro livro e me encantei mais ainda com o que estava lendo e comecei a buscar várias fontes, artigos, comprei outros livros sobre o tema, mas até então não tinha um foco específico para pesquisar, até que aconteceu um fato muito triste para a família do meu marido, meu sogro estava com câncer, foi um choque para todos nós. Então ele começou o seu tratamento e eu comecei a acompanhar meu marido, depois de várias vezes que frequentei o hospital, percebi que tinha crianças ali naquele espaço, então fui pesquisar o que as crianças faziam, se tinha alguma atividade ou atendimento diferenciado e descobri que não e resolvi tocar no assunto da Pedagogia com alguns funcionários e tive um choque porque disseram não conhecer essa prática dentro de um hospital e que também o hospital não tinha estrutura para comportar este trabalho. A partir daí fiquei imaginando como poderia ser o trabalho pedagógico hospitalar com as crianças com câncer e comecei a pesquisar quais instituições de tratamento oncológico para crianças oferecia esse apoio pedagógico, foi então que encontrei o A. C. Camargo; fiquei encantada e resolvi pesquisar a fundo para ver como era esta realidade. 

Uma realidade completamente diferente de qualquer teoria já lida.


8. Quais foram os pontos positivos e negativos do seu projeto?
Positivos: Os resultados obtidos, a vivência, a prática pedagógica hospitalar. O conhecimento adquirido durante todo o processo da pesquisa. O reconhecimento da FFCL.
Negativos: Dificuldade em encontrar material para estudar, ver crianças passando por este tipo de situação, mas infelizmente é a realidade.

9. Depois da finalização do seu curso e projeto quais são suas expectativas em relação à carreira profissional?
Agora que o projeto foi finalizado e que também conclui o curso de Pedagogia, foco na pós-graduação em psicopedagogia, curso a qual a Fundação Educacional de Ituverava me concedeu uma bolsa de 100% em reconhecimento a pesquisa e também vai publicar.

10. Diante de sua formação, o que você diria aos alunos que estão pensando em ingressar na pedagogia. E você indicaria a FFCL a esses alunos? Por quê?
Além de ser uma área que não só se limita a escola, é um curso muito interessante e muito dinâmico para se fazer. Vale a pena. Assim como a FFCL me apoiou, me incentivou do início ao fim, acredito que não seja diferente com os outros alunos, pois, é uma instituição que tem orgulho em formar pessoas e realizar sonhos. Instituição exemplar, nota 1000.

11. Deixe aqui suas considerações finais.
Gostaria de agradecer a todos os que me ajudaram nesse processo, primeiramente a Deus por estar sempre comigo nos momentos difíceis em que pensei em desistir. Ao meu marido que sempre esteve ao meu lado, me apoiando e sendo compreensivo, a todos os amigos que acompanharam minha luta, a todos os meus familiares, em especial aos que são de São Paulo, pois, sempre me recebiam e acolhiam quando eu precisava estar lá. A professora Vera Mariza Chaud, a minha orientadora Priscila Alvarenga Cardoso Gimenes e a todos os professores e funcionários da FFCL.

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